Acabei me viciando nas frases curtas e respirações longas, tudo para passar por cima de de outros vícios. Já me alonguei mais nas palavras, mas parece que saiu de moda falar muito. Pensando bem no meu histórico, nunca entrei nessa moda, nunca deixei as palavras escaparem facilmente. Por aqui é tudo muito engasgado. Respiro fundo para absorver o impacto. A minha respiração, aliás, é um disfarce rápido para pensar melhor, na verdade eu tenho asma de um forma profunda e o meu ar vive faltando, levando-me a hospitais lotados onde até o meu remédio é artificial.
Eu já escrevi mais e também já falei menos. A língua vai ficando ácida a cada ano que passa, mas não é por mal, é por defesa. Ter um ouvido que foi perdendo a audição por ouvir tanto, cedeu-me mecanismos de defesa. Uso sim do meu cinismo para dizer que o dia ensolarado me agrada, que a comida está com o tempero certo, que a festa não poderia estar melhor, que o livro era era excelente, mas no fundo, no invisível, eu quero sentar e escrever. Quero me calar e tentar alongar algumas frases que vem morrendo pouco a pouco, como o meu ouvido.
Hoje é dia par e eu ainda sinto saudades, vazios, pontos finais. Hoje é um enfeite bobo das despedidas de ontem ou muito antes de ontem. Estou marcando presença nas palavras para sentir que algo é meu, embora sempre fuja do meu controle.
Quer saber o segredo das minhas frases inacabadas? Quem me lê, vê coerência. Quem me sente… ah, quem me sente também se perde.
Era véspera de um sonho. Era véspera de um dos melhores dias da minha vida, se não fosse o melhor. Era véspera daqueles dias que você passa dias, semanas e até anos esperando pra que aconteça. Chegava a ser um sonho tão grande, que a ansiedade era intensa e nula ao mesmo tempo. Intensa porque cada parte do seu corpo sabia que dali a pouco algo iria acontecer. E nula porque ao mesmo tempo era como se tudo aquilo não fosse real, como se a ficha não fosse cair nunca. Era daqueles dias em que tu olha pela janela, observa a rua, ouve os uivos dos ventos e ao mesmo tempo em que dentro de você ocorre uma festa, lá fora é como se cada folha caindo das árvores soubesse que você está esperando. É como se o cantar dos pássaros entrasse em sintonia com a ansiedade dentro de ti. E foi. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto eu esperava, enquanto eu ansiava por tudo. E junto com a ansiedade sempre vêm o medo de algo dar errado, não é? Como se todos os teus temores viessem juntos à sua mente, como se cada pensamento positivo e cada imaginação boa prevendo o dia que virá se misturasse com todas as coisas ruins que seriam prováveis de acontecer. E quando você deita, já não sabe se dorme ou se pensa. A ansiedade te cansa e te faz querer deitar a cabeça no travesseiro e dormir, mas ao mesmo tempo é o que te mantém acordado. E o tempo passa, devagar, mas passa. E o momento chega, devagar, mas chega. E de tão devagar, chega a ser rápido. E de tão devagar, quando você vê já passou. É tão devagar que quando você pisca já está sentado no sofá da sala, desejando que tudo se repita de novo. Desejando que cada véspera de sonho seja repetida, tendo a plena consciência de que se repetindo ou não, o momento estará ali, eternizado na sua memória.
Normalmente estou acordando com preguiça. Preguiça de levantar. De encarar a mesma rotina. Os mesmos problemas. As mesmas coisas chatas. As mesmas pessoas que falam as mesmas coisas e que se vestem iguais. Essa vida se passando em câmera lenta me matando aos poucos. Eu já decorei cada passo que eu dou durante o dia. Nessa rotina viciante que eu estou presa. Eu quero fugir. Quero mudar. Inovar. Sair dessa mesmice entediante. Quero ver novos horizontes, sentir novas brisas. E tudo tão monótono, e sempre foi assim. Desde criança minha vida se encontrava dessa forma: as mesmas regras a seguir a risca, sem questionar ou interferir. Sempre pegava o mesmo caminho, ia aos mesmos lugares, chorava as mesmas lágrimas e o motivo sempre era o mesmo. Eu simplesmente cansei de tudo isso. Cansei de fazer tudo repetidamente. Queria me tornar uma “rebelde sem calda”, assim como as garotas que vejo no filmes. Quero não ter limite. Quero liberdade poética, quero ter inspiração. Tudo que eu vejo e tão sem graça. Quero ter mais motivos para sorrir, pois cansei do sorriso amarelo de sempre. Todo dia viro uma nova página desse enorme livre de capa grossa que é a minha vida mais a historia sempre se repete sempre pega o mesmo percurso. Acordar viver e logo dormir. Quero aventurar-me, quero ver novos olhares. Quero conhecer novas pessoas. Sempre encontro as mesmas pessoas na fila do trem, com aquelas caras fechadas, sem alegria alguma. Quero raios de sol queimando minha pele branca de manhã. Quero um abraço inesperado. É exatamente isto. Quero que as coisas aconteçam do nada, sem serem planejadas. Quero sorrisos repentinos e carinhos inesperados. E tão difícil assim ter uma vida mais animada, diferente? Quero um novo amor. Faz tanto tempo que o meu coração não encontra um motivo para bater. Ultimamente ele anda batendo apenas para manter a minha sobrevivência. Quero tudo de novo na minha vida. Amigos novos, novos caminhos. […] Não quero mais perder tempo nessa minha vida rotineira. Quero animo de manhã sedo. Quero acordar com vontade de sair correndo pela rua para vive mais um dia dessa minha vida. Quero ver o brilho do sol entrando pela minha janela me fazendo sorrir e me dando vontade de levantar. Mais ultimamente, tenho tento preguiça olhar para janela na esperança de que por lá entre alguma luz, pois sei que lá fora o céu vai estar nublado, assim como nos outros dias de outono aqui nessa cidade. Mais ultimamente, tenho preguiça de levantar e viver esse minha vida tão sem graça e cinzenta. E isso. Eu tenho preguiça. Laura. d!raivosa. ft. Patricia. perfectdreamswithyou.
O pacto que todo casal deveria fazer: “Quando eu achar que o amor esta acabando, prometo me lembrar dos motivos que me fizeram te amar um dia.
Eu gostaria de ir embora para uma cidade qualquer, bem longe daqui, onde ninguém me conhecesse […] Onde eu pudesse experimentar por mim mesmo as minhas asas para descobrir, enfim, se elas são realmente fortes como imagino. E se não forem, mesmo que quebrassem no primeiro voo, mesmo que após certo tempo eu voltasse derrotado, ferido, humilhado - mesmo assim restaria o consolo de ter descoberto que valho. O que sou.
“Do mesmo modo que o ódio pode ser doutrinado, também é possível aprender e ensinar a amar. Quem cresceu num ambiente árido sabe como não se deve fazer.”
Não mudei, evolui, não esfriei, deixei de ser idiota, não deixei de acreditar, passei a desconfiar, não deixei de sentir, parei de demonstrar. Meninosonhador
- Você era mais forte.
- Eu era “mais” tantas coisas.
- Deixou de ser?
- Cansei de ser.
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